A saúde emocional dos filhos é construída através da relação com os pais e das experiências vividas na infância, que deixam marcas profundas até a vida adulta.
Sabemos que não existe uma receita pronta e definitiva do que fazer e do que não fazer em relação aos filhos, mas a psicanálise nos dá pistas de coisas que seriam importantes para a formação da saúde psíquica do indivíduo.
Individualismo, imediatismo, impulsividade e baixa tolerância à frustrações são muito comuns na sociedade atual, e por que isso acontece?
É natural que os pais queiram poupar os pequenos de todo sofrimento, mas essa proteção excessiva pode comprometer a saúde emocional dos filhos.
Quando um bebê nasce, ele entende que há uma simbiose entre ele e a mãe, semelhante ao meio intrauterino, em que a mãe é vista como uma extensão dele próprio.
Se ele chora por que está com sono, fome, dor ou por qualquer outra demanda, logo será atendido.
Freud em “Introdução ao narcisismo” (1914), usa o termo “Sua Majestade o Bebê”.
Com o nascimento do bebê geralmente nasce também um desejo dos pais de poupá-los de todo sofrimento que ele possa vir a ter.
Será que é possível pouparmos os filho de todo sofrimento? E mesmo que fosse, quais seriam as consequências?
Fazer e dar tudo que, e quando a criança quer, pode gerar um sentimento de que a função das pessoas é servi-la.
Ela também não apenderá superar sentimentos de raiva e frustração, e na vida adulta, quando inevitavelmente isso acontecer ela não estará preparada para lidar, por exemplo, com um rompimento amoroso, uma demissão, etc.
Winnicott descreve a “mãe suficientemente boa” como aquela que atende plenamente o bebê no início, mas que introduz pequenas falhas graduais.
Essas falhas são fundamentais para que a criança comece a entender que o mundo não é uma extensão dela, rompendo a ilusão de onipotência.
A frustração dosada permite que o indivíduo desenvolva autonomia e aprenda a lidar com a realidade, sendo um pilar essencial para o amadurecimento saudável.
É importante deixar que a criança tenha suas próprias experiências, para que desenvolva autonomia, responsabilidade, autoconfiança e independência emocional.
Exemplos de abandonos: Não dar atenção à criança, não se preocupar com alimentação, higiene, educação, xingamentos, palavras ásperas, críticas constantes.
O abandono, em qualquer âmbito, faz com que a criança tenha dúvidas sobre o merecimento de ter amor e sucesso. Ela imagina que a culpa é dela, que ela deve ser ruim, já que foi abandonada por pessoas que deveriam amá-la e protegê-la.
Para preservar a saúde emocional dos filhos, é vital focar na atitude da criança ao corrigi-la, e nunca atacar a sua identidade com ofensas ou críticas constantes.
Vale ressaltar que quando o pai/mãe diz que a criança é burra, ou incapaz, ela cresce com esta certeza, por isso quando for fazer algum apontamento, fale sobre a atitude e não sobre a criança em si.
Estes foram apenas alguns exemplos de comportamos a serem reforçados e a serem evitados.
A maneira que fomos criados não é fator decisivo no que seremos, mas às vezes agimos e sentimos certas coisas que não sabemos explicar, e isso pode realmente estar diretamente ligado às experiências infantis e na relação familiar.
Por isso, cuidemos de nossas crianças, para que saibam a lidar consigo e com o mundo.
Você percebe reflexos da sua infância nos seus comportamentos atuais, ou gostaria de aprender novas habilidades para lidar com os desafio da maternidade/paternidade? Deixe seu comentário ou agende uma consulta para explorarmos essas questões através da psicanálise.